quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O Engraxate



E o brilho dos meus sapatos por aquelas mãos, não mais voltará.
Ali, o vai-vem da flanela e do esfregão, eram, naturalmente, acompanhados de um velho conto de cidade pequena.
Por tal, a hora remunerada era satisfatória para àqueles que o procurava.
E, para lá se foi, feito o brilho do sapato após o tempo de sua durabilidade.
Porém, resignado pela grandeza de sua existência.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Renascendo


Aprisionado eu estive, talves, até mesmo por chaves próprias. Terá sido regresso ou retenção, tal como a da caverna de platão?
No entanto, o Sol era já conhecido, já tivera sido degustada antes a liberdade do papel também, embora aqui e acolá entre algemas de rima. Então o que ocorrera?
Acho que sei: foram tantas portas entreabertas somadas de tantas outras escancaradas que o pássaro que nasce livre e que adiante se acostuma ao covil ambiente duma gaiola, em sobressalto ficou imobilizado quando percebeu finalmente a não existência de puleiros ou taliscas. Tão inúmeras são as saídas quanto o peso de sentir-se livre.
Enfim, o pássaro depois de compreender transforma-se em construtor de obras além de canto, e segue o seu vôo de pés no chão, trabalhando agora com o tijolo da insatisfação, buscando mais contruções...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009


O poeta


Quando não sei o que escrever
me transformo em peneira
do tipo apertada,
refinando a granulada
da inspiração ligeira.

Laço cada palavra,
sou Peão de minha mente
montado em cavalo branco
que pula cada barranco
fincado em nossa frente.

Eternizo a idéia
trabalhando feito colméia,
fazendo o Mel que poucos sentem.



Pé na estrada

Quando penso no agora,
presente predestinado,
tudo que foi esperado
acontece em certa hora.
Me levanto e vou embora
sonhando, mas consciente
porque quem pratica a mente
bota fogo na cachola.

Essa faze passageira
é fruto do meu passado,
feito passo do xaxado
levantando poeira
que cai leve e maneira
sobre o chão de minha vida.
Cicatriz que foi ferida
Não magoa com besteira.

Hoje eu vivo a comer,
plantando e regando
e em toda terra que eu ando
Seu Ninguém me faz sofrer.
Quando faz pago pra ver
a cara do descarado,
mostrando-lhe o ponto errado
amargo de se viver.

Dias de São João


Nessas festas juninas
todo dia é animado,
lindas são as meninas
e o povo todo encantado.

Os fogos encantam,
os pratos também
casais se balançam
naquele vai-vem.

O vem-vai do baião
somando com o xaxado
cantado com emoção.

A rainha e seu arraia
faz a sua parte
eu, a minha arte
para o povo alegrar.
Início, meio e fim


Sou uma semente paterna
que brota dum solo gentil
sou a luz e uma lanterna
alterada quando a pilha é fraca,
serei o verde do pasto da vaca
a merda, o estrume sadio.


Sou uma poesia morta
no bolso da calça lavada,
sou o vai-vem de uma porta
balançada por um vento forte
serei a vida enquanto morte,
adubando a terra molhada.
Acima e abaixo


Sobre a minha vaidade

C
A
I

a transitoriedade.



Sob os meus lamentos

M
E
B
O
S

os bons momentos.