segunda-feira, 19 de outubro de 2009


O poeta


Quando não sei o que escrever
me transformo em peneira
do tipo apertada,
refinando a granulada
da inspiração ligeira.

Laço cada palavra,
sou Peão de minha mente
montado em cavalo branco
que pula cada barranco
fincado em nossa frente.

Eternizo a idéia
trabalhando feito colméia,
fazendo o Mel que poucos sentem.



Pé na estrada

Quando penso no agora,
presente predestinado,
tudo que foi esperado
acontece em certa hora.
Me levanto e vou embora
sonhando, mas consciente
porque quem pratica a mente
bota fogo na cachola.

Essa faze passageira
é fruto do meu passado,
feito passo do xaxado
levantando poeira
que cai leve e maneira
sobre o chão de minha vida.
Cicatriz que foi ferida
Não magoa com besteira.

Hoje eu vivo a comer,
plantando e regando
e em toda terra que eu ando
Seu Ninguém me faz sofrer.
Quando faz pago pra ver
a cara do descarado,
mostrando-lhe o ponto errado
amargo de se viver.

Dias de São João


Nessas festas juninas
todo dia é animado,
lindas são as meninas
e o povo todo encantado.

Os fogos encantam,
os pratos também
casais se balançam
naquele vai-vem.

O vem-vai do baião
somando com o xaxado
cantado com emoção.

A rainha e seu arraia
faz a sua parte
eu, a minha arte
para o povo alegrar.
Início, meio e fim


Sou uma semente paterna
que brota dum solo gentil
sou a luz e uma lanterna
alterada quando a pilha é fraca,
serei o verde do pasto da vaca
a merda, o estrume sadio.


Sou uma poesia morta
no bolso da calça lavada,
sou o vai-vem de uma porta
balançada por um vento forte
serei a vida enquanto morte,
adubando a terra molhada.
Acima e abaixo


Sobre a minha vaidade

C
A
I

a transitoriedade.



Sob os meus lamentos

M
E
B
O
S

os bons momentos.

Feira


O dia amanhece
com falas e passos
há ruas na rua
nua, sem asfalto.

E lá vem o freguês
pagando o outro mês
e comprando fiado
ao lado, na banca da Inês.

Daí o troco aparece,
o rôco oferece
e a velha faz prece
pro povo comprar.

Moleques agitam,
gritam sem parar
oferecendo frete
por apenas três reá.

O sol do céu vai se descolando
tal como o matuto da feira,
com passada maneira
por ter saído ganhando.

quinta-feira, 14 de maio de 2009



































Coisa Nossa


Solado grosso
que marca o chão.
Moço calado
viajante do Sertão.

Seu nome Zé
Pedo, Inaço ou João
e que conhece o cangaço
como a palma de sua mão.

Mão furada e acostumada
pelos espinhos da palma
pelos destinos da alma
Valentemente aventurada

Seu canto rôco, louco e não oco
atraem a boiada
atiça vaquejada
ecoando no cenário vivo-morto















Eu Água.


Livres e soltos são os açudes que não possuem paredes ou barreiras. Soltos e livres são esses, onde no seu leito ifinítas espécies de vidas se enrraizam-se no seu couro lamacento ou arenoso. Não importa se é de águas barrentas, cristalinas ou verdejadas e, tão pouco se são elas de gosto doce, salobra ou salgada. Açude que se preza, sonha em ser rio, correnteza e despejar-se no mar, lar de milhares seres. Felizardo é também aquele que navega nessas águas, tendo que ser muito cuidadoso, pois muitas delas não o leva a lugar nenhum, aliás leva sim, para passeios circulares, tempestades e até mesmo ao náufrago.

domingo, 5 de abril de 2009

Decida-se

Teus olhos, cortantes como lâmina
penetram em minha alma
e mesmo assim ainda me falta
seu brilho quente como lâmpada

De tua boca são cuspidas nuvens densas
que me dão a esperança de uma chuva
más até agora só ouço trovões, sem ofensas,
anunciando gotas d´agua quase nuas

Antes de atingirem o chão
lá estou eu de balde nas mãos.
Precipitado demais
cavalo bravo, em disparada sem olhar para traz

Talves voce tenha rédias
e eu um plantio
más enquanto não souber
continuo neste desafio

terça-feira, 31 de março de 2009

Apegando-se mais ao Desapego



Sozinho não prossigo, porém, meu sucesso não dependo dos outros. Os sustentáculos de minha estrutura são meus, más os teus podem me fortalecer mais ainda.

As vezes me petrifico, pensando em qual das duas vertentes de um mesmo rumo devo tomar, ou idealizando essa mesma jornada que em mim começou e em mim terminará.

Apêgos excessivos se fazem âncoras, ancorando meus passos ou até mesmo tomando um lugar de um novo interesse. Mais a ao quê eu sou apegado? Ao quê tu és apegado(a) ? Que seja!!

Só não devemos esperar que seis ou cinco gotas possam encher nosso tanque. Antes que seque vejamos o seu transbordar com um verdadeiro tsunami, no bom sentido, devastando as barreiras das limitações...

quinta-feira, 12 de março de 2009


Navegantes de primeira viagem



Quero desvendar o teu íntimo, como umnavegador cheio de ambições. No mar do prazer, zelado por tú e por mim também, o meu desejo vai além de tuas especulações. Nomeio do Pacífico, fico. Aqui eu afundo, esqueço do mundo e uno as nossas vontades. Marolas e caprichos do mar não nos atingirá. Então deleitesse comigo nessas água voluptuosas, salgada feito o suor que refresca os nossos corpos.

domingo, 8 de março de 2009


Estação Rodoviária



Aqui o relógio é constantemente consultado. A inquietação anseia o reencontro, assim como a despedida. Com exceção daqueles que daqui fazem sua moradia, mesmo que temporária: ``Uns, irracionais, de rabos abanantes, pelagem falhada e olhos voltados para o pão com molho servido no único botéco deste terminal. Já outros, racionais, com mãos sujamente estendidas e arregaçadas pela desigualdade, com farrapos acinzentados se camuflando com o chão e olhares dirigidos para o mesmo ângulo.
E ai, quem vai pela Itapemirim? E quem será que embarcará na Caruaruense?
São tantos em prantos e em felicidades, que nesse canto só resta a saudade dos que chegam e dos que partem...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009




Sinopse imaginária


Já fui selvagem,
mata sem dono.
hoje vivo num cruel abandono
onde a infâmia e corrupção me furtam o precioso sono.

Fui inédito.
Púbere, pude apreciar o inédito
ora fundido a libertinagem,
ora ao discreto.

Sou pedra preciosa.
Esculpido pelo tempo,
influenciado pelos ventos
providos de alma maliciosa.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Cenário Reluzente



As feridas de minha terra cicatrizam uma vez por ano. Em sua faze de carne viva, o sanativo não passa de lágrimas derramadas, regidas por um sentimento de preçe.
Os efeitos do castigante sol se estampa lentamente na face do sertanejo-Pele robusta, unhas grosseiras e sorriso encardido se perdem com a simplicidade e gratidão que alicerça esse homem, que muitas vezes forçado pelo destino, sem desatino, ele é obrigado a deixar sua terra. Más com todo este cenário alimentando suas lembranças, por vezes ignoradas pelo o homem ``civilizado´´, que para este se traduz em merda o modo de vida nordestino. Já o nordestinto, sabido de si mesmo, sabe muito bem que essa merda é o adubo de sua vida.

sábado, 14 de fevereiro de 2009


A borboleta

A borboleta que em suas costas habita, era leve, igualmente ao balançar de suas medianas madeixas, constituída por cachos largos e esbeltos. A direção que ela tomava era provocante, pois mesmo de asas imóveis dava-se pra ver o trilho de sua jornada. Jornada essa que no meu ver acabava bem próximo de sua nuca. Sussurrante e ofegantemente ela fazia com que a tal hospedeira se revirasse, lentamente, ora numa banda, ora noutra. Movimentos sucedidos por suaves contrações.


A árvore da Vida

Plantas com o toque.
Regas com palavras.
Cresço sob o teu olhar
Colhes com a boca
e arrancas um fruto,
que sem furto, ficas louca.

E agora só me resta
frutos caídos,
frutos pisados,
frutos com bichos,
frutos amargos.
Frutos secos,
frutos sem cor,
frutas maduras,
maduras de amor.

Fruto, queira viver e apodrecer de maduro.
Lagartas que te consomem
vão embora no escuro.
Não se deixe arrancar,
dure preso ao caule,
caule canal.
Canal do conhecimento
que com toda sabedoria te prepara como cimento.

Quase um Lamento


Anciã e anciosa

atingiu-me de raspão.

Sendo pura e graciosa,

biliscou meu coração


Ligeiramente ela me veio,

como um trem movido á vapor.

A princípio, é claro, senti receio.

E mesmo que se parecesse devaneio,

tudo não passava de uma pequena amostra,

composta do seu verdadeiro sabor.


Aquela atração me balanlava.

Me tomava aos poucos.

Eu, platônicamente desejava-a,

e quando percebia a rapidez com que o tempo se passava

via no meu reflexo a imagem de um louco.

Louco de amor, louco que não provára o sabor.


Pois nesta experiência,

desfrutei sem condolência a tua ausência

que se fazia mucha

igualmente a de uma flor.

Olegário Marcos

A Potôa




A Potôa me potuou.
Uma potuada perpétua,
paixão quase periférica.


Foi beijo pilado e privado
que marcou-me intitulando:
``O novo ser amado´´
Olegário Marcos.

síntese conterrânea


No ar seco do meu nordeste,
vejo a tanajura que voa.
Sinto o maracatu,que como trovão me ressoa.

Sob o apito do mestre,
me vejo caboclo, cabra da peste.
Cuspindo o tom rôco,
abertamente, feito um leque.

Para esse sertão meu Deus,
só lhe falta uma moldura.
Pois seu conteúdo varia do suor a rapadura.

O colorido do teu pano, realça teus costumes
que por eles morro de ciúmes.
E a pouca água que molha o seu plano
exala o perfume do povo pernambucano.
Olegário Marcos.